Nas
Florestas da África
Episódio
IX
Entes da Natureza para
Defesa da Tribo
por Charlotte von
Troeltsch
Sinopse
de Fatos Transcorridos: Bu-anan, também chamada de “mãe branca”
dirige um projeto de segurança da tribo o qual estando sob proteção superior do
alto, diretamente de Anu, recebe também com isso o auxílio dos pequenos entes invisíveis
da natureza, pelas elaborações dos meios de proteção local.
Principiou uma
movimentada atividade. Mal tinham os homens cavado um pouco, saltaram os
pequenos um pouco mais adiante, indicando novamente outro círculo.
Ur-wu anunciou que esta
seria a linha externa da vala. Eles deveriam, apenas, demarcá-la de imediato.
Quando isto aconteceu, os pequenos correram apressadamente entre os homens que
trabalhavam, para lá e para cá. Eles empurravam de lado aquele que
descuidadamente não observasse o limite previsto, estimulando um ou outro para
trabalhar mais rápido. Mostravam também o melhor jeito de trabalhar.
Cada homem Tuimah tinha
dois negros a seu lado, cujo trabalho precisava supervisionar. Estes faziam o
que lhes era ordenado, aparentemente sem compreenderem o sentido do trabalho.
Por outro lado, eles riam amigavelmente como bons amigos. O que os Tuimahs
apenas excepcionalmente podiam ver, parecia-lhes bem familiar.
Longos dias
permaneceram distantes aqueles que saíram em busca dos animais. Ninguém se
inquietou por isso. Se os pequenos estavam com eles, todos se encontravam sob a
especial proteção de Anu.
A vala estava quase
terminada. Ela havia se tornado bem profunda. Os pequenos tinham levado os
negros junto para desenterrarem as plantas espinhosas. Eles sabiam quais eram
os lugares onde o solo não era muito firme. Além disso, eles mostravam como
plantar partes sem raízes da planta, que continuariam a se desenvolver
Os Tuimahs queriam
plantar apenas no fundo da vala. Os pequenos, entretanto, mostraram-lhes para
plantarem também nas paredes até em cima com as mudas de espinhos. Mais tarde,
mostrou-se como fora sábio este conselho.
Justamente no dia em
que foi terminada a vala, retornaram os caçadores de animais. Eles trouxeram
consigo uma grande quantidade de animais selvagens novos.
Eram filhotes
amarronzados e peludos, pernudos, com longos e estreitos focinhos e orelhas pontiagudas.
Os pequenos animais farejavam tudo o que se lhes aproximava. Eles eram
teimosos, mostravam, porém, que podiam diferenciar seus acompanhantes dos
demais homens.
Aconselhados pelos
pequenos, um determinado homem tratou deles, homem a quem especialmente se
juntaram, e por isso fora escolhido para adestrar os animais, conforme a
indicação dos pequenos.
Segundo o singular som
que eles muitas vezes soltavam, os homens os denominaram U-aus, e logo os
pupilos se acostumaram com esse nome e corriam quando eram chamados.
As plantas espinhosas
se desenvolviam. Era preciso pensar em fazer passagens sobre a vala ocupada por
elas. Isso, porém, não era tão fácil como se pensava primeiramente.
Os rebanhos precisavam
deixar a colônia e poder transitar. Portanto, era necessário que fosse, pelo
menos, uma passagem suficientemente larga e cômoda para eles. Através disso,
porém, esses lugares seriam nitidamente reconhecíveis por estranhos. O que se
deveria fazer?
Os homens levaram essa
pergunta para Bu-anan, que a passou adiante. À noite veio-lhe a resposta, precisariam
ser colocados na parte de dentro do círculo alguns homens, toda noite, para
vigiar esses lugares de risco. Eles poderiam se revezar, mas não podiam nunca
ser negligentes com a vigilância.
A nenhum dos homens
veio a ideia de resmungar contra isso. Anu tinha ordenado, Bu-anan transmitira
a ordem. Portanto, cabia-lhes obedecer. Eles apenas sentiam muito por
precisarem perder as narrações de Bu-anan por causa de sua vigilância, as
quais, ela agora retomou regularmente.
Em uma das primeiras
noites os homens queriam saber como se realizava o tornarse visível dos
pequenos.
Bu-anan refletiu um
pouco, então ela disse:
“Eu apenas posso vos
dizer, como eu mesma imagino isso, e eu não sei, se está certo. Como, porém, eu
não obtive nenhum outro esclarecimento sobre isso, quero vos anunciar este.
Penso eu, que os
pequenos são em geral tão delgados e leves como todos os luminosos, que algumas
vezes nos visitam.
Se, contudo, Anu
ordenou-lhes que nos devem ajudar, então eles se tornam, por causa dessa ordem,
no entusiasmo da obediência, mais espessos, e nós os vemos em uma forma que é
semelhante a nossa. Simultaneamente, porém, com a ordem de Anu, outros olhos
são abertos em nós, que nos permitem ver coisas mais finas. Tendo os pequenos
realizado seus trabalhos, então, se fecham nossos olhos mais finos e nós não
podemos mais ver os pequenos seres.”
Nem todos conseguiram
entender isso, mas alguns pensaram terem compreendido e deram-se por
satisfeitos.
Agora os homens
precisavam relatar como eles haviam capturado os animais. Eles precisaram
empreender longas caminhadas e vasculhar várias cavernas. Na maioria das vezes
os pequenos os guiavam até lá quando os pais dos filhotes saíam para caçar.
Mas, uma vez, deu-se contudo, uma dura luta com uma mãe U-au, que não quis
deixar tirar de si seus filhotes.
Aí, exatamente quando a
luta queria se decidir a favor dos homens, um dos pequenos disse de forma bem
clara:
“Quem, como tu, dá sua
vida de modo tão valente por seus filhos, bom animal, merece que eles não lhe
sejam tirados!”
Foi como se, de
repente, um encanto descesse sobre eles. Ninguém mais pôde atacar a mãe dos
filhotes, que se retirou com seus filhotes para o fundo da caverna. —
(continua)
Uma obra traduzida diretamente do texto original alemão de 1937, o qual foi publicado nos cadernos 6 a 12 da revista Die Stimme (A Voz).
A história está sendo publicada em episódios da coleção do G +:
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Por esse mesmo esquema já foram publicadas as obras como coleções do G +: